Melhorando
a Justiça
João Bosco Nogueira
Não é só no plano ético que
a Justiça brasileira pode melhorar. Um dos grandes
problemas existentes está relacionado à lentidão
com que se tomam decisões. E aqui, uma das grandes
causas é a complexidade ou o excesso dos ritos processuais,
o que muitas vezes torna o direito processual mais importante
do que o próprio direito material.
Há ainda o exagero dos recursos. Como eles procrastinam
as decisões, dificultando ou até mesmo impossibilitando
a realização da Justiça. Percebo que
muitos brilhantes advogados desistem do exercício
da advocacia por este motivo. Não bastasse tudo isso,
há ainda em grande parcela dos operadores do direito
a cultura de que as decisões judiciais não
podem ser rápidas. Ora isso é um absurdo,
pois as decisões judiciais, para serem justas e úteis,
precisam ser rápidas.
É urgente que se introduza a racionalidade e o senso
prático na seara do direito. A racionalidade e a
praticidade não são recursos apenas dos gerentes,
mas de todos aqueles que precisam tomar decisões.
Vejo claramente como as mudanças demoram acontecer
no campo do direito. O estilo extremamente formal, a linguagem
afetada, rebuscada e arcaica parecem denunciar isso.
Além da necessidade de uma mudança no secular
padrão cultural que permeia o campo dos operadores
do direito, vemos que uma grande reforma no poder Judiciário
passaria também por uma profunda revisão da
grade curricular dos cursos de Direito, e claro, por uma
revisão do processo decisório e dos códigos
processuais.
Por fim, é preciso também que se reveja o
critério de acesso dos juízes aos tribunais.
Atualmente, os juízes dos principais tribunais são
nomeados pelo chefe do poder Executivo. Isto também
precisa ser mudado, pois além de comprometer a democracia,
desacredita o poder Judiciário, tornando-o dependente
do Executivo.
Publicado em 20/05/03 no jornal O Povo