É difícil falar de sexo*
Regina Ribeiro**
Durante mais ou menos oito dias, os dois candidatos à Prefeitura de Fortaleza, Moroni Torgan (PFL) e Luizianne Lins (PT) trocaram farpas na tevê envolvendo uma questão que, para mim, não cabem mal-entendidos, falta de clareza ou má fé na exploração do tema. O assunto era a educação sexual na escola, passando pela homossexualidade.
Deve o tema ser tratado no ambiente escolar? E como? O que eu acho interessante nesse assunto é que sexo toma boa parte das nossas vidas. Quase tudo que vemos na tevê, no cinema, na publicidade, na moda, tem a ver com sexo, clara ou implicitamente. As crianças, então, estão abarrotadas de informações sobre sexo e erotismo. Lembro-me de que, no auge do É o Tchan, fui a uma festinha do Dia das Mães na escola que meus filhos estudavam. No meio da programação, uma das coordenadoras solicitou meninas e mães para dançar a dança da garrafa. Muito engraçado, todo mundo morria de rir, mas decididamente não achava muito interessante ver meninas de quatro, cinco anos naquele jogo erótico em cima de uma garrafa. E disse isso às professoras.
Ou seja, a coisa está aí. Todo mundo aprecia e muito. Mas, na hora de falar sobre o assunto, todos fogem na raia. E sabem por quê? Porque não é fácil. É necessário preparo, cuidado e amor pelos outros para cuidar do assunto. E escola é lugar, sim, para tratar de sexo, desde que os professores estejam prontos, tenham consciência de que estão ajudando a formar pessoas para o resto de suas vidas. Escola é lugar sim para explicar o que significa preferência sexual e o que exige cada escolha. É importante sim conversar com pré-adolescentes e jovens que podemos definir o rumo de nossas vidas por meio dessas escolhas. E, principalmente, que cada um deve ser respeitado, independente do que escolhe fazer com a parte do corpo que fica entre a cintura e o joelho.
* Publicado em 21 out 2004.
** REGINA RIBEIRO é editora-executiva do Núcleo de Negócios do O POVO |