Justiça
e Prosperidade
As grandes civilizações
só se desenvolveram porque tinham uma boa justiça.
A boa justiça já estava no Código de
Hamurabi da Babilônia do século XVIII a.C.
e no Código de Justiniano que consolidou o Direito
Romano (século V d.C.). Mas justiça lenta
não é boa justiça. É o berço
morno da impunidade, da fraude, da corrupção.
É a origem da miséria de um povo. A lentidão
é tal que o popular sentencia: ''Um acordo ruim é
melhor que uma boa causa''. Inspira também os conformados:
''A justiça tarda, mas não falta''.
Ora, a ineficiência
da Justiça não se resolve remetendo o problema
para outras áreas da sociedade. Não é
produtivo pleitear um aumento do número de juízes
quando sabemos que o orçamento do país não
comporta acréscimos de impostos. A lei atual já
dispõe de mecanismos suficientes para a execução
de uma boa justiça. Falar em reforma de códigos
é empurrar o problema para o Legislativo.
E como aumentar a velocidade
da justiça? Os juízes são selecionados
por rigoroso concurso público, portanto profissionais
de alto gabarito. Desafie o juiz com metas e ele responderá
com grandeza à sociedade. O tribunal deve estabelecer
tempos médios para cada tipo de processo e cobrar
dos juízes essas metas. Para julgar rapidamente,
é preciso aceitar pequenas imperfeições
e correr riscos. Com o coração bem intencionado,
mantendo-se no caminho da lei, que é largo e não
estreito, o juiz deve rejeitar o floreio e valorizar a síntese.
Deve fazer com que aqueles que atrasam os processos sintam
o peso da sua mão e do seu mau humor. Não
duvidem, o juiz é o rei, pode quase tudo. A sociedade
deseja estabelecer uma mudança básica: bom
juiz é aquele que faz o processo andar rapidamente
e não aquele que julga ''bonito''. Uma das partes
sempre sairá frustrada, claro. Precisamos ter pressa,
pois a sociedade está se degenerando rapidamente
por falta de justiça. Nossos filhos já duvidam
se vale a pena ser honesto. Para eles, quem segue regras
é trouxa. O ''esperto'' e o mentiroso é que
estão se dando bem.
Matéria do J. O POVO
19 de abril de 2003.
Paulo Correia Lima - Engenheiro Eletrônico.