A
prevenção é melhor
Francisco
Leopoldo Martins Filho *
Não se deve confundir
segurança pública com o combate à criminalidade;
se aquela existe, de fato, este não tem necessidade
de existir. Dar segurança é prevenir para que
a infração não ocorra. Para combater
o delito, é preciso, por omissão, imprevisão,
desconhecimento ou interesse, deixar que ele ocorra. Além
do mais, os gastos e prejuízos materiais e humanos,
em regra, são maiores com o combate do que com a segurança,
se esta for bem planejada.
Recentemente, nos deparamos
com um documento de um graduado da Polícia Militar
do Ceará que estimulava seu comandado a ''combater
o crime'', com incentivos a tal ação. No documento
oficial não se encontrava, uma vez sequer, recomendação
para o trabalho preventivo. Registramos uma triste realidade:
a existência por parte de alguns graduados da corporação
em enfatizar a estatística de produção
com a finalidade de premiar os policiais que mais prendem.
A existência dessa bizarra estatística só
serve para demonstrar que há, também, interesse
material estimulando os policiais. Assim, combate-se, e até
incentiva-se, o que não se procurou evitar!
Não preparar o policial
para a prevenção é cometer erro grosseiro.
Aparelhar a policia - homens, veículos, armas, computadores
- para chegar ao local do crime depois do fato consumado,
tendo o agente que correr atrás do delinqüente
- quando este já feriu, matou ou roubou alguém
- é imaginar o policial qual mocinho cinematográfico
e, mesmo, corromper-lhe a missão. Temos, aí
elementos de insegurança pública. A população
já está cansada da ''segurança de boca''
ou de notas oficiais.
Estamos a ponto de desconfiar
de que, neste momento, em razão da renda indireta proporcionada
pela ''indústria do medo'', nós nos encontraríamos
diante do que Lernell chamou de ''marginalidade social institucionalizada''.
Publicado em O Povo em
22/10/2003.
* Francisco Leopoldo Martins Filho é advogado pós-graduado
em Direito Penal
e especialista em Danos Morais.
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