Petistas consideram normal inspeção da ONU no Judiciário

O presidente da comissão especial da reforma do Judiciário, José Eduardo Cardozo (PT-SP), considerou normal o fato de a relatora da ONU sobre execuções sumárias, Asma Jahangir, ter sugerido que as Nações Unidas enviem ao Brasil um relator especial para inspecionar o Poder Judiciário brasileiro. “Infelizmente existem violações de direitos humanos em nosso país, e a inspeção internacional é saudável, não temos nada a esconder”, afirmou. Cardozo defendeu agilidade na aprovação da reforma do Judiciário como resposta para a sociedade que exige uma Justiça ágil, transparente e eficiente.

José Eduardo Cardozo destacou que a reforma será também uma maneira de os três Poderes da República demonstrarem que “se envergonham da violação dos direitos humanos no nosso país”. Segundo o deputado, há um consenso geral sobre a necessidade de se reformar o Judiciário. “A resistência ocorre é na forma de fazê-la”, acrescentou.

Reação – A reação negativa de alguns ministros de tribunais à inspeção foi criticada pelo vice-presidente da comissão, deputado João Alfredo (PT-CE). “Estão fazendo tempestade em copo d’água. É natural que entidades de direitos humanos visitem países democráticos para verificar situações de respeito ou desrespeito aos direitos humanos”. A reação do Judiciário, segundo João Alfredo, mostra a dificuldade que o Poder tem em aceitar controle externo. “Eles estão enclausurados em si próprios”, criticou.

O petista, que junto com o deputado Doutor Rosinha (PT-PR) é autor de pedido de CPI para investigar denúncias de tráfico de influência e venda de sentenças nos tribunais superiores do país, disse que é este o momento do Legislativo instalar a comissão. “Tivemos problemas de assinaturas que já foram sanadas, não há mas entraves para que a CPI funcione”, defendeu. João Alfredo enfatizou que tanto a reforma, como a CPI ou a inspeção sugerida pela ONU não ferem a independência do Judiciário ou na razão da sentença expedida pelos juízes. “O que se deseja é a desburocratização, a democratização e agilidade do Poder”, acrescentou.

Direitos humanos – Para Iriny Lopes (PT-ES), deputada atuante na defesa dos direitos humanos, o diagnóstico e a sugestão da relatora da ONU estão perfeitos. “Ela ouviu policiais, visitou governadores, conversou com vítimas do desrespeito aos direitos humanos e verificou que em muitos casos, quando se consegue concluir um inquérito ele fica nas prateleiras dos tribunais”, afirmou. Segundo Iriny, a relatora constatou também a indústria de “venda de sentença para traficantes e a morosidade proposital em julgar crimes de colarinho branco”.

A deputada Iriny Lopes ressaltou que, além de toda a situação constatada, a relatora da ONU também foi informada de que a federalização dos crimes contra os direitos humanos depende da emenda constitucional que faz parte da reforma do Judiciário.
José Dirceu – O ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, esteve na Câmara nesta quinta-feira e afirmou que a inspeção proposta pela ONU não fere a soberania nacional. “A ONU é uma instituição da qual o Brasil faz parte, somos signatários do Tribunal Penal Internacional. Temos de ouvir, dialogar, isso não significa que está se ferindo a soberania nacional”, argumentou. Para o ministro “não dá para tapar o sol com a peneira e dizer que no Brasil não há tortura ou assassinato”.

Segundo o ministro da Casa Civil, o governo Lula tem combatido a corrupção. “Não se tem notícia de corrupção no governo, estamos implementando mecanismos para combater a lavagem de dinheiro e vamos chamar a Transparência Internacional para conversar sobre isso, afirmou.

Em: 09/10/03 - Vânia Rodrigues

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