Raimundo Martins Neto

Um crime de natureza política aconteceu em 07 de novembro de 1997, sexta-feira à noite, por volta de 22h, em Santa Quitéria, a 252km de Fortaleza, quando o engenheiro agrônomo, funcionário público estadual e diretor da Rádio Itataia, rádio local, RAIMNUNDO MARTINS NETO, casado, 46 anos, foi assassinado com seis golpes de faca, todas fatais, desfechados pelo comerciante Abelardo Sales Andrade.

O crime aconteceu após discussão banal sobre política local, entre vítima e assassino. O homicídio aconteceu em frente a um bar, no centro da cidade. Após praticar o crime, Abelardo Andrade fugiu para a fazenda Grossos, onde foi encontrado num matagal, próximo à sede da propriedade, ainda portando a arma do crime, sendo conduzido para a Delegacia Regional de Canindé. A policia temia represálias da população de Santa Quitéria, pela revolta diante de tão bárbaro crime. O assassino já tinha sido condenado por agressões à faca em anos anteriores. Dono de frigorífico era cena comum andar armado em locais públicos de Santa Quitéria.

Raimundo Martins era filho do ex-deputado e ex-prefeito Haroldo Martins. Reunia todas as características de homem popular, fazendo questão de cumprimentar pacientemente a todos, principalmente as pessoas humildes que o procuravam buscando ajuda ou esclarecimentos sobre determinados assuntos.

O enterro de Raimundo Martins ocorreu no dia 08 de novembro de 1997, no cemitério da cidade, acompanhado de uma grande multidão que chorava e chamava por justiça.

O assassino de Raimundo Martins Neto, Abelardo Andrade, pertencente a família possuidora de grandes propriedades no município, contratou o advogado Paulo Quezado. Inicialmente o referido advogado conseguiu convencer a Justiça e o desaforamento ocorreu sem que a família da vitima tomasse conhecimento do mesmo. Ao final, a penalidade foi de nove anos de reclusão, com o assassino, conseguindo nos últimos meses do ano 2000, a liberdade condicional.

Aos familiares de Raimundo Martins Neto, só restou “o silêncio de sua partida e o canto da saudade”...

 
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