Paulo de Assis Izidório
No dia 7 de abril de 2001,
desde o dia anterior estávamos na casa de minha mãe,
pois tínhamos ido jantar e acabamos dormindo com ela,
ficando combinado irmos embora na tarde do outro dia. Paulo
passou a manhã de sábado conversando com os vizinhos,
foi pegar água para beber, retornou e foi almoçar,
dormiu a tarde, quando levantou disse que não estava
bem, arrumamos as mochila e fomos embora. Ao chegarmos em casa,
ele deitou no sofá, depois levantou e disse: eu vou na
Cristina buscar um remédio para barriga, continuava a
não se sentir bem. Eu disse: deixa que eu vou, você
está doente, e está chovendo fino, além
de ser deserto. Ele disse que era perigoso, que ali havia marginais,
que eu poderia ser atacada, e achava que com sua habilidade
de segurança profissional poderia se proteger melhor.
Mesmo doente foi buscar o remédio que eu havia emprestado.
Como não enxergava bem, foi procurar seus óculos
fundo de garrafa que com certeza molhado pela chuva não
teve visibilidade alguma para ver talvez seus assassinos. Após
30 minutos de sua saída, ouvi uns cinco tiros, pensei
que se tratava de fogos de artifícios por causa do futebol.
Porém não era nada disso, a Cristina entrou em
casa e aos prantos gritou que o soldado Diassis tinha matado
o Paulinho, eu fiquei pasma, sai correndo. Quando cheguei ao
local do crime, o corpo havia sido levado pela viatura da PM
a pretexto de salvá-lo, corri para o hospital com dois
vizinhos, a assistente social de plantão me recebeu e
foi logo dizendo: seu marido já chegou aqui morto senhora,
o médico atestou. Fiquei louca, chamei os familiares
lá no hospital e a polícia que socorreu e outros
mais, me convidaram para ir na casa do assassino, entrei na
viatura, achei que essa decisão era o correto e fui com
os policiais, na viatura o tenente falava constantemente no
rádio com o capitão, e sem nenhuma explicação
a viatura tomou o rumo errado, os policiais olhando um para
o outro como se tivessem algo a esconder, depois de alguns minutos
tomamos o rumo certo só que dessa vez a viatura parou
no meio do caminho, e depois seguiu novamente. Na casa do assassino,
todos os policiais foram cumprimentados cordialmente pelo irmão
do assassino (os mesmos haviam dito ao capitão, que não
conheciam o soldado que havia assassinado Paulinho, nem sabiam
o endereço do mesmo e ainda me disseram que eu ficasse
calada que era melhor) sorrindo e zombando, ouvi a irmã
do soldado Di Paula conversar com todos, como velhos amigos
de casa.
Meu marido Paulo era vigilante,
muito conhecido pela sua maneira de ser, não gostava
de pessoas que viviam à margem da lei, principalmente
se eram policiais, vivia sempre disposto a informar e ajudar
a polícia, trabalhava com dignidade, e honrava o uniforme
da Polícia Militar. Depois de morto, vejo o assassino
(soldado Di Paula) trabalhando normalmente armado, dando uma
falsa segurança, pois soube por populares que não
se tratava da primeira vítima e que uma outra vítima
vive numa cadeira de rodas. As pessoas que me informaram disseram
também que o quartel tinha conhecimento de seus atos.