MARIA DA PENA MAIA
FERNANDES
Maio de 1983: Marco Antônio
H. Viveros – economista, colombiano, naturalizado brasileiro,
simulou um assalto na residência do casal e atirou contra
Maria da Penha, na época sua esposa, enquanto ela dormia.
Apesar de várias cirurgias, as seqüelas do grave
ferimento deixaram Penha, definitivamente, em cadeira de rodas.
Maio a outubro de 1983: período
em que Penha permaneceu hospitalizada.
Maio de 1991: Passados oito
anos e após ser adiado por duas vezes, Marco sentado
no banco dos réus, é julgado e condenado (6x1)
a 13 anos de reclusão. A defesa entra com recursos pedindo
anulação do julgamento.
Março de 1991: o lançamento
do livro "Sobrevivi...posso contar", de autoria da
vítima é o resultado de sua indignação
pela morosidade do andamento do processo.
Março de 1996: o julgamento
de 1991 foi anulado e após ser adiado por três
vezes, Marco foi pela 2ª vez julgado, e novamente condenado
(13 anos e 6 meses de reclusão). A defesa mais uma vez
recorre alegando que Marco foi julgado contra a prova dos autos.
Agosto de 1998: em parceria
com o CEJIL e o CLADEM, Maria da Penha apresentou denúncia,
à CIDH (ligada à OEA), contra a impunidade, o
padrão de ineficácia da ação judicial,
e tolerância estatal frente aos casos de violência
doméstica no Brasil.
Março de 2001: a defesa
do réu Marco Antônio H. Viveros entrou junto ao
Superior Tribunal de Justiça com Agravo de Instrumento
que deverá ser julgado em Brasília.
Abril de 2001: O Brasil é
condenado pela OEA (caso nº 12051). A CIDH concluiu que
neste caso (violência doméstica e tolerância
estatal) o Brasil violou os artigos 1, 8 e 24 da Comissão
Internacional dos Direitos Humanos e os artigos 3, 4 (a, b,
c, d, f, g), 5 e 7 da Convenção de Belém
do Pará.
A condenação do
Brasil é a primeira do sistema interamericano em relação
a um caso de violência doméstica sofrida pelas
mulheres.
O Brasil tem agora a obrigação
internacional de cumprir com as recomendações
emitidas no relatório da Comissão e tomar todas
as mediadas apropriadas, incluindo medidas do tipo legislativo,
para modificar ou abolir leis e regulamentos vigentes, ou para
modificar práticas jurídicas que respaldem a persistência
e, ou a tolerância da violência contra a mulher.
São passados 18 anos
e a defesa do réu Marco Antônio H. Viveros, continua
utilizando-se de recursos, até mesmo extemporâneos
para não cumprir a pena que lhe foi imputada.
Maria da Penha tem lutado incessantemente
por Justiça, quer denunciando a morosidade da Justiça,
quer se engajando em movimentos de resgate da cidadania como
da APAVV, o da União das Mulheres Cearenses (UMC) e do
Observatório do Judiciário, etc.
Maria da Penha acredita que,
com a instalação da CPI do Judiciário,
a ampliação dos quadros da Defensoria e Promotoria
Públicas, o respeito pelos Direitos Humanos (se eles
fossem respeitados nós não seríamos vítimas)
a reforma do Judiciário (onde, dentro outros fatores,
fossem respeitados os prazos para a devolução
dos processos por parte dos desembargadores, juizes e promotores
e a eliminação – via legislativos, dos recursos
procrastinadores), um basta seria dado a toda esta impunidade
(geradora da violência) e o cidadão de sentiria
respeitado e confiante no Poder Judiciário pois, "é
este poder que fornece ao indivíduo de posses (ou até
ao próprio Estado) as condições necessárias
para que o direito dos justos seja negado ou subtraído,
e para que impunidade (geradora de violência) se perpetue
no Brasil e consequentemente os direitos humanos não
sejam respeitados.
No dia mundial dos Direitos
Humanos (10/12/02) Maria da Penha foi agraciada pela Assembléia
Legislativa do Ceará com a medalha Frei Tito da comissão
de Direitos Humanos pela sua luta por justiça (depois
de 19 anos seu algoz foi preso), pela sua altivez em exigir
que o poder judiciário cumpra o que a sociedade dele
espera e clama, numa luta nunca individual mas por todos os
brasileiros injustiçados.
Em
abril de 2001, o Estado Brasileiro foi condenado pela Organização
dos Estados Americanos, através de sua Comissão Interamericana
de Direitos Humanos, A condenação contra o Brasil e a
primeira do sistema interamericano em relação com um caso de
violência domestica sofrida pelas mulheres. Esta condenação
foi sumamente importante para que Marco
Antonio H. Viveros finalmente fosse recolhido ao xadres. desde
29 de novembro de 2002 ele está cumprindo pena no
presídio Instituto Penal Paulo Sarasate.