Edlano Augusto Barbosa
No dia 26 de março
de 2000, a tarde, meu marido Edlano Augusto Barbosa (30 anos),
nosso filho Lucas (6 anos), meu cunhado e um amigo, foram ao
jogo de futebol no Estádio Castelão, torcer pelo
Ceará. Fiquei na casa de minha sogra com nossa filha
Mariana (18 meses), aguardando sua volta.
O Ceará ganhou do
Ferroviário, foi aquela festa. Eles saíram do
estádio satisfeitos. Com toda aquela alegria. Por descuido,
meu marido encostou no carro do policial civil Luiz Gonzaga
de Oliveira Filho, após uma freada brusca do mesmo, este
logo se dirigiu ao carro e bateu no vidro. Meu marido ainda
tentou dialogar, pediu desculpas duas vezes, mais sendo agredido
verbalmente, sendo chamado de vagabundo, ameaçado de
levar um tiro e indagado se não tinha medo de morrer,
não aguentou a provocação e cedeu uma discussão.
Onde chegaram a trocar socos, mais foram apartados pelo meu
cunhado e seu amigo.
Entrando nos carros tanto
o meu marido quando o policial prosseguiram no mesmo percurso,
mas o policial estando na frente dificultava a passagem do Edlano
e ainda ficou sentado com a mão chamando-o de novo para
briga. Edlano desceu do carro afirmando que iria saber o que
aquele cara queria realmente, não possuia nenhuma arma,
nem portava nenhum objeto para ataque, estava de calção,
camiseta e apenas a quatro quarteirões da casa da minha
sogra, onde eu o esperava. Ao descer do carro meu marido foi
executado por este policial que já desceu preparado com
uma arma em punho atirando para matar, pois o primeiro tiro
foi no coração e o atravessou. O outro foi defendido
pelo braço e também atravessou. Os outros tiros,
o policial deu na direção do carro, para onde
meu marido ainda tentou voltar caindo no asfalto, pedindo ajuda
a seu irmão. Morrendo segundo depois, dentro do carro
a caminho do hospital nos braços do irmão e de
nosso filho. O assassino fugiu no mesmo passando enlouquecido
por cima da calçada quase matando outras pessoas.
Por causa de uma discussão
banal uma família foi dilacerada, todos nosso sonhos
foram sepultados pelas mãos de um assassino cruel. Que
ainda teve a coragem de se apresentar para se livrar do flagrante,
alegando legítima defesa, defesa de que? O que poderia
meu marido fazer contra uma arma, já que estava de mãos
limpas. E como poderia ter sido agredido por quatro elementos?
Assim ele está ameaçando até meu filho
de seis anos , além de tudo, amedrontando a todos por
ser policial. Hoje "Luizinho", policial civil, envergonha
toda uma corporação, toda uma sociedade. E até
hoje aguarda julgamento, o que revolta nossa família.
Só me resta esperar um pouco de justiça, pois
meu marido, não voltará mais. Fica a dor e a esperança
nos homens de bem de todo este país, que cada um de nós
se lembre que isto pode acontecer com qualquer pessoa.