Caso Delegado Araújo

Ingressou nos quadros da Polícia Civil em 1980 como escrivão, permanecendo no cargo cerca de 5 anos. Em 1983 colou grau como Bacharel de Direito pela UFC e em 1985 fez curso na Academia de Polícia para o cargo de Delegado de Polícia de 1a. Classe, onde foi aprovado em 1º lugar, sendo nomeado em 1986. Passou pelas seguintes Delegacias e funções: 8ª. Delegacia de Polícia em Fortaleza (Conj. José Walter), onde ficou durante 6 anos. Em Tabuleiro do Norte-Ce, onde implantou a Polícia Civil e permaneceu por 2 anos, Regional de Russas-Ce, durante 4 anos e 10 meses, onde dignificou o nome da Polícia Civil no Ceará, na Região do Vale do Jaguaribe, onde realizou a integração "Polícia Povo" num trabalho inclusive de alto alcance social e educativo. Seu último trabalho foi como Delegado regional de 2ª. Classe no município de Aracati-Ce, cidade litorânea e turística, onde fez um grande trabalho, inclusive combatendo a criminalidade e o tráfico de drogas. Em junho de 97 fez concurso para Juiz de Direito de Fortaleza. No dia 02/07/97 o Delegado Araújo da Regional de Aracati-Ce, estava em Fortaleza, na casa de sua avó resolvendo assuntos particulares e foi assassinado pelo soldado da PM Josimar Duarte do Nascimento com a cumplicidade dos soldados da PM, Waldomiro Girão Nobre Neto, ainda na ativa, Marcos Lira Pinheiro, que foi assassinado, Ricardo e um amigo Júlio César Fernandes Carneiro (vulgo Bijuca). Seu amigo de infância, Francisco Neilson Oliveira, desde às 8:00 horas da manhã que o procurava, chegou a ir até a Secretaria de Segurança Pública, coisa que nunca tinha feito. Às 15 horas Neilson o chamou na casa de sua avó, no Conjunto José Walter, para ir com ele a um bar tomar uma cerveja, e o Delegado Araújo disse que iria almoçar e dormir.

Depois de muita insistência e nada conseguindo, pediu para levá-lo em casa, ali mesmo no conjunto José Walter. O Delegado Araújo resolveu ir deixá-lo em casa e saiu sem camisa e sem arma, avisando a sua avó que voltaria logo para o almoço. Testemunhas viram quando o Neilson chegou com o Delegado Araújo no mercadinho do Evandro (pai do soldado Waldomiro Neto), no Pantanal - Conj. José Walter e o soldado Waldomiro Neto dirigiu-se ao orelhão em frente ao mercadinho e desse ao telefone – "O homem chegou, a presa chegou". Em poucos minutos chegaram duas viaturas da PM e os soldados Josimar Duarte, Waldomiro Neto, Ricardo e um amigo Júlio César Fernandes entraram no bar provocando o delegado Araújo, chamando-o de valentão, grandalhão etc. este dirigiu-se ao amigo Neilson convidando-o para ir embora. Mas Neilson insistiu para ficar mais um pouco. Araújo levantou-se para ir embora e o soldado Josimar Duarte (do Batalhão de Polícia de Choque) atirou-lhe 2 tiros pelas costas e os outros soldados passaram a chutá-lo no chão, juntamente com o Josimar Duarte. Ele alega legítima defesa. Mas em seu depoimento foi réu-confesso. Teve sua prisão preventiva no Quartel do 5º BPM. Porém o Juiz da 1ª. Vara do Juri acatou o pedido de relaxamento da prisão feito pelo advogado do réu José Bezerra de Freitas e ele continua solto. Diz que é réu-primário, mas temos informações que um soldado da PM é paralítico, vítima de três tiros disparados por ele. Comentam que foi partilha de drogas. E um jornal divulgou que Josimar vendia drogas. Josimar Duarte diz que nunca vai ser preso porque tem proteção de dois coronéis da PM.

O soldado Josimar Duarte, réu confesso, foi julgado em 26/08/99 por homicídio duplamente qualificado há 14 anos de prisão, na 1ª. Vara do Juri, processo nº 1999/09631-8, pelo Juiz José Mário Martins Coelho e o promotor Francisco Marques de Lima. Mas continua em liberdade. O recurso foi julgado e confirmou a sentença. O réu entrou com embargos mas foram negados pela 2ª. Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.
O advogado Dr. Francisco Ernani Uchoa Lima Sobrinho entrou com recurso extraordinário, foi aceito, e estamos aguardando a publicação. A última posição, tem o seguinte teor: " Intimar a acusação pública ou particular para apresentação das contra-razões dos recursos especiais impetrado pela defesa".

Fortaleza, 25 de junho de 2001

Contatos: Dilza Rêgo Domingues (mãe da vítima e associada da APAVV – Associação de Parentes e Amigos de Vítimas da Violência. Fones: 252-4266 // 263-2548 // 494-6125 // 262-3912 // 9984-0508.

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