De: Patricia e Quintino
Para: apavv@bol.com.br
Data: 18/04/2003 05:21
Assunto: a dor que a violencia provoca

No dia 17/04/03 meu pai se tornou mais uma vitima da violencia. Passou a integrar numeros e estatisticas. Estes quantificam, porem nao podem qualificar a dor e o que foi interrompido. 

Por causa da violencia, nao tive o privilegio de receber pessoalmente os parabens do meu pai pelo seu primeiro neto. Ele adorava criança!

Por causa da violencia, fiz o primeiro ultrassom no dia da Missa de Sétimo Dia do meu pai.

Por causa da violencia, tive que guardar a lembrança de viagem comprada no dia anterior, com tanto amor e carinho, para presenteá - lo quando retornasse a Fortaleza. Para muitos Fortaleza é a cidade do sol. Fortaleza para mim implica a força que todos aqueles, não poucos, vitimados pela violencia precisam ter ou buscar.

Por causa da violencia, nao receberei das mãos do meu pai o livro já comprado para me presentear no dia 02/05/03, meu aniversário. Com ele aprendi que ler é simplesmente bonito.

Por causa da violencia tive que engolir e, "engolir seco", a expectativa pelo meu primeiro Dia das Mães.

Por causa da violencia, tenho que ver minha mãe, na terceira idade e depois de tanta luta, sofrer tanto. 

Por causa da violencia, estou sentindo tanta dor.

Por causa da violencia, tantos sentem dor.

Por causa da violencia, tanta falta, tanto falta e tantos faltam.

Por causa da violenicia, um tiro que tirou a vida do meu pai e, com ela, uma historia e tantos vínculos.

O Deus em Que acredito não quer e não aceita a violencia. O Deus em Que acredito não interrompe a vida pela violência.

Se é certo que a vida deve continuar, apesar da dor, não menos correto é afirmar que ela nunca mais será a mesma, porque a violencia causa incomensurável indignação, porque a violencia transforma a falta e a saudade pela perda em uma dor diferente. Talvez mais dilacerante.

A causas da criminalidade não têm o direito de ofuscar a dor que a violencia provoca. Basta!

Atenciosamente,

Patrícia Landim de Albuquerque / plalbuquerque@uol.com.br

De: Comissão Organizadora do Prêmio Nacional de Direitos Humanos
Assunto: Indicação

Queridos amigos e amigas:

O CEJIL (Centro pela Justiça e o Direito Internacional), o CLADEM (Comitê Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher) e a AGENDE (Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento), apresentaram a candidatura de Maria da Penha Maia Fernandes ao Prêmio Nacional de Direitos Humanos do ano de 2003, na categoria "Personalidade referência em direitos humanos".

A trajetória e o compromisso de Maria da Penha com a defesa dos direitos humanos, em particular, das mulheres vítimas de violência doméstica, evidenciada no fato de ter convertido uma experiência própria em uma bandeira de luta, justificam plenamente a sua indicação para receber o Prêmio Nacional de Direitos Humanos e a fazem merecedora da distinção. Segue abaixo e nos arquivos em anexo a justificativa da indicação e o curriculum vitae de Maria da Penha.

Solicitamos a todos e todas que, se possível, enviem  manifestação de apoio à indicação de Maria da Penha para o Premio o quanto antes e no máximo até o dia 10 de junho próximo. O resultado da Premiação será divulgado no dia 11 de junho, na Conferência Nacional de Direitos Humanos.

Os apoios podem ser enviados para a:

Comissão Organizadora do Prêmio Nacional de Direitos Humanos
secretaria@mndh.org.br

Apoio ao nome da indicada: Maria da Penha Maia Fernandes
Categoria: "Personalidade referência em direitos humanos"

 Atenciosamente, 

Valéria Pandjiarjian

Justificativa da indicação

As referidas organizações - CEJIL, CLADEM e AGENDE - acreditam que a trajetória e o compromisso de Maria da Penha com a defesa dos direitos humanos, em particular, das mulheres vítimas de violência doméstica, evidenciada no fato de ter convertido uma experiência própria em uma bandeira de luta, justificam plenamente a sua indicação para receber o Prêmio Nacional de Direitos Humanos e a fazem merecedora da distinção.

Maria da Penha - cujo Curriculum Vitae se encontra em anexo - era uma farmacêutica com grandes possibilidades de crescimento profissional. Formada na Universidade Federal do Ceará, com Mestrado em Parasitologia Clínica pela Universidade de São Paulo, tinha publicado vários trabalhos e participado em diversos congressos sobre a sua especialidade profissional.

Penha foi mais uma das milhares de mulheres que no Brasil e no continente sofreram - e ainda sofrem - violência doméstica. Em 1983, Penha foi vítima de uma tentativa de homicídio praticada pelo seu então marido, Marco Antonio Heredia Viveiros, que lhe desferiu um tiro nas costas enquanto ela dormia, deixando-a paraplégica. A partir de então, Penha fez da sua vida um motivo de luta e se tornou um exemplo para todos(as) os(as) defensores(as) de direitos humanos.

Não só levou pra frente com pouca usual persistência o processo judicial contra seu agressor, mas também, sofrendo a morosidade e tolerância do Estado perante a violência contra as mulheres, levou seu caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), possibilitando que esse organismo internacional - pela primeira vez - aplicasse em um caso individual a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar  a Violência contra a Mulher

A sua luta e a sua determinação permitiram que todas as mulheres vítimas de violência pela sua condição de mulheres passassem a ter novos estandares de proteção dos seus direitos humanos (ver Caso 12.051, Informe 54/01 CIDH, www.cladem.org).

Paralelamente, Penha decidiu compartilhar com outras mulheres a sua experiência, escrevendo o livro "Sobrevivi...posso contar",  publicado em 1994, com o apoio do Conselho Cearense dos Direitos da Mulher e a Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Ceará.

Após sentir na sua própria vida a ineficácia do Poder Judicial e a falta de políticas públicas adequadas para a prevenção da violência contra as mulheres, Penha deu mais uma vez demonstração da sua entrega e compromisso, integrando-se aos movimentos sociais que lutam contra a violência e a impunidade. Foi ativa impulsionadora do Observatório de Judiciário do Ceará e integrante da Diretoria Executiva e Coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da APAVV (Associação de Parentes e Amig@s de Vítimas de Violência), além de se envolver em diversas outras atividades de militância em direitos humanos às quais se dedica cotidianamente.

Por fim, cabe lembrar que diversos estudos nacionais e internacionais demonstram que, no Brasil, a violência doméstica contra as mulheres representa uma das mais graves violações aos seus direitos humanos, com um alto custo social e econômico para o desenvolvimento do país. A propósito, o Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, recentemente, incluiu como um dos principais temas de preocupação em relação ao Brasil o fato da violência doméstica configurar-se em fenômeno de incidência muito comum e não ser suficientemente denunciado no país (E/C.12/1/Add.87, de 23 de maio de 2003).

Nesse contexto, faz-se ainda mais oportuna a presente indicação de Maria da Penha para o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, não só como um reconhecimento à sua história de denúncia e luta contra a violência e a impunidade, mas também como forma de reafirmar a intolerância da sociedade brasileira em relação à violência contra as mulheres.

Como diz a própria Penha: "... impossível calar-se quando as mulheres são vilipendiadas em sua integridade física e moral... A luta contra a violência é árdua... Não queremos chegar ao século XXI fragmentadas por tanta violência, por tanto machismo. Queremos chegar ao próximo milênio com a derrota da ideologia machista, praticada por mulheres e homens e que tanto mal tem trazido à humanidade".

Chegamos ao século XXI e ainda vivemos fragmentados(as) pela violência a que ela se refere. Mas é inegável reconhecer na sua história os pequenos grandes passos dados para a concretização do grande sonho refletido em suas palavras: o de que de todas as mulheres e todos os homens realizem plenamente o direito de viver uma vida livre de violência.

Maria da Penha é uma sobrevivente dessa violência, e deu ao trágico episódio de sua vida o sentido belo da luta pelos direitos humanos. A Premiação de Maria da Penha significará, sobretudo, uma homenagem  a todas as mulheres brasileiras que viveram, vivem ou possam viver uma situação de violação aos seus direitos humanos, e um reconhecimento de que a luta pelo fim da violência contra as mulheres é legítima questão de direitos humanos.

Para: apavv@bol.com.br
Data: 27/01/2003 15:43
Assunto: Parabéns!

Cara Joana Dárc e APAVV:

Venho por meio desta parabenizar esse site como também a associação,
atitude bonita! Continuem com essa força! É disso que precisamos pessoas de
garra e que ainda acreditem que o Bem sempre vence o Mal!!! Meu nome é Wilrama Magalhães, tenho 22 anos e sou estudante de Odontologia minha vida é perfeita tenho uma família linda e amigos maravilhosos... Contudo não sou
plenamente feliz, a violência e a impunidade que nos ronda nos fazem não
acreditar em dias melhores.. o medo ao sair de casa atrapalha nossas vidas e
nos impedem de estar bem! Já fui vítima de um assalto mas graças a Deus nada me aconteceu, contudo tenho muito medo que algo aconteça com alguém da minha família pois todos os dias a violência aumenta! Li alguns relatos de casos e me emocionei com o caso de Thiago Fontenele, pois como eu era apenas um jovem que queria viver dignamente! As vezes fico pensando a respeito do sentido da vida e é tão difícil enteder certas coisas... que vida é essa?

Por que tanta injustiça? Quanto egoísmo entre os seres humanos! Vamos pensar mais nos outros nos colocar e sentir no lugar de outras pessoas!! Não sei ao certo o que posso fazer mas tenham a certeza de ter meu apoio voluntário no que for preciso! Que Deus abençoe esta entidade!
ass.: Wilrama Magalhães


De: Larymig@aol.com Bloquear endereço
Para: apavv@bol.com.br
Data: 15/02/2003 11:32

Como participante da apavv à 4anos vendo aapvv crescer tão dignamente com tanto luta tantas dores ,como diz um de nossos amigos o ideal seria ''que a Apavv não crescesse" mas como isso é quase impossivel por enquanto vamos lutando, caminhando, dividindo nossas dores , e vendo tanto empenho de todos desde o mais simples participante ate aquele amigo da apavv que hoje quer participar , quer ajudar de qualquer maneira isso para nos que fazemos parte que somos vitimas de tanta violencia e gratificante ve que nossa luta nossos esforço não foi em vão e que no mundo ainda existe pessoas boas de bom coração e que o mundo não está totalmente perdido e que Deus existe . Obrigado a Aapavv e a todos que fazem parte desta associação abençoada por Deus; Muito obrigado de uma maê que encontrou em vs minha 2ª familia.
Liduina Muniz.

 

 
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