CÉLULAS TRONCO - A ESPERANÇA
Hermann Schimmelpfeng Landim *
A polêmica mais uma vez se forma em torno de questões religiosas. Outrora se discutia se o mundo era redondo, e os que discordaram foram queimados. Seja no Oriente ou no Ocidente, as questões de fé assumem proporções de morte desde as Cruzadas até os dias de hoje com os atentados suicidas de mulçumanos em busca das virgens de Alá. Mas a verdade é que dogmas tem sido maiores que o próprio Senhor da Vida (DEUS).
Hoje a discussão gira em torno se há ou não vida na células tronco. Essa avaliação não pode se limitar apenas a aspectos restritivos do termo vida, mas se deve buscar uma conceituação de vida em abundância, na sua máxima amplitude. Como falar de um amor divino para uma criança em cima de uma cama que se alimenta por uma sonda gástrica, que respira com ajuda de aparelhos, que perdeu os movimentos, e que espera apenas um milagre, que pode ser desde a libertação pela morte ou até uma cura? O que dizer para uma criança diabética que por ter intolerância à insulina, que passa os dias com dores, desmaiando, que apresenta seqüelas na retina e não mais enxerga? Somente quem vivencia essa realidade pode falar do que seja amar alguém. Se Deus ofereceu sua própria vida para nos salvar, não seriamos nós imagem e semelhança Dele para também dar a mesma demonstração do que seja o amor?
Quando o óvulo se encontra com o espermatozóide forma-se uma célula com todas as predisposições genéticas para formar não só o ser humano, mas também qualquer tecido que pertença ao organismo humano. Não possui nem cérebro, nem coração, ou qualquer outro órgão. Essa célula se divide em muitas outras à medida que caminha em direção ao útero para sua fixação e desenvolvimento. Quando implantada na parede uterina é que dará seguimento à diferenciação para a formação do feto. Este sim, poderá originar um ser humano. Acontece que aquela célula formada pelo óvulo e o espermatozóide precisa de estímulo para se diferenciar; no caso em discussão, elas formam um conjunto de aproximadamente 200 células, sem qualquer semelhança com o ser humano ou com qualquer órgão deste. São essas células, que atualmente as clínicas de reprodução humana jogam no lixo após 03 anos de congelamento. Se existisse vida seria crime tal procedimento, mas, no caso em tela, nossa legislação não considera tal ato criminoso.
Se o problema é não sabermos quando há vida, nossa legislação define muito bem quando há morte, segundo opinião da Dra. Cecília Lobo, especialista em Bio-Direito . A
lei é clara ao definir a ausência de atividade cerebral, bem como a ausência de batimentos cardiorespiratório como critério para permitir a doação de órgãos. Assim, qual o critério religioso que aceita a doação de órgãos e não permite o uso de células tronco para permitir a cura ou a melhora das condições de vida de pacientes que vegetam? Outra questão a ser lembrada é que vivemos em um Estado Laico , e como tal, as convicções religiosas das autoridades públicas não podem ser impostas à sociedade como verdades absolutas e a critério de quem ocupa momentaneamente o poder.
O Senado Federal, através do empenho pessoal do Senador Tasso Jereissati, aprovou o uso de células tronco que seriam destinadas ao lixo, para pesquisas científicas, porém a Iigreja se mobiliza para impedir sua aprovação na Câmara. É preciso que Deputados Federais estejam conscientes do que sejam as tais células tronco, e que juntamente com a sociedade participe de tais discussões.É necessário evitar que surja o comércio ilegal de tratamento com células tronco sem a fiscalização devida pelo Conselho Regional de Medicina e pelo Estado, pois grandes prejuízos à saúde e a economia adviriam para a família e para a sociedade através dos oportunistas das mazelas alheias. Portanto, louvemos o Deus da Vida que permitiu ao homem seguir seus exemplos : dar vida e vida em abundância.
* Hermann Schimmelpfeng Landim
Cirurgião-Dentista/ Estudante de Direito, Integrante da coordenação da APAVV |