Poderes
em crise?
Herman Schimmelphfneg Landim
Quando o presidente do STF diz estar perplexo
com a generalização e o desserviço causado
pelas declarações do presidente Lula. Pasmado
fico eu ! No dia 04/02/03, fomos conduzidos pelo deputado
João Alfredo e o Observatório do Judiciário
cearense ao STF e STJ, levando várias denúncias
contra o Poder Judiciário alencarino. O que fizeram
estes diante de tais denúncias? Será que a omissão
do Poder Judiciário não credenciaria Lula a
generalizar tais denúncias? Pois, autoridades que tomam
ciência de crimes e não investigam, cometem prevaricação.
Ficar omissos dizendo-se não competente constitucionalmente,
ou apregoando que tais denúncias devam ser individualizadas,
tem sido o maior desserviço ao país, que enxergar
as próprias feridas e extirpá-las.
Lula fala em controle externo e todos gritam:
e a harmonia e a independência dos poderes? Montesquieu
se referia a evitar a concentração de poderes
nas mãos de uma única pessoa e para garantir
os direitos individuais. Seria o poder contrabalançando
o poder. Aqueles princípios não requerem isolamento,
subordinação, mas união dos poderes para
extirpar a criminalidade que paira sobre as funções
estatais. A quem incomoda buscar a legalidade e principalmente
a moralidade, princípios constitucionais ? Os que comungam
com o poder paralelo têm a resposta.
E por falar em crime organizado, se procura suas feições
em Fernandinho Beira-Mar, e Elias Maluco, mas se evita admitir
que essa criminalidade já ocupa os Tribunais, a Câmara,
o Senado, prefeituras, rouba a merenda escolar, faz grampos
telefônicos, vende sentenças, faz leilões
de cartórios etc. Ou alguém duvida disso? Os
poderes do país refletem a sociedade, e esta encontra-se
doente, carente de valores e princípios.
O controle externo existiria não
para romper a dignidade dos juízes, mas para engrandecê-los,
devolver-lhes suas credibilidades, erguer o Poder Judiciário,
torná-lo acima de qualquer suspeita, transparente.
Não para depreciá-lo como muitos alardeiam.
A quem interessaria ficarmos estagnados nessa discussão
tola? Certamente a resposta recairá sobre os que adoecem,
contaminam, e apregoam o caos sobre esse grande Poder. Este,
capaz de nos conduzir a um Estado Democrático de Direito,
único, sem poder paralelo a lhe assombrar.
Buscar essa moralização,
é dever funcional das Corregedorias, apoiada em leis
e regimentos internos elaborados pelos próprios Tribunais.
Mas, a prática, por séculos, nos afirma que
mexer nas próprias entranhas ou "dos nossos cuidaremos
nós", foi exercida de modo míope, e omissa.
Está na hora dessa "generalização"
do Poder Judiciário se dizer indignada não com
os moralizadores, mas com os corruptos desse poder, que manipulam
seus quadros de forma a desviar o alvo de si. Essa atitude
cega, hipnótica, que evita questionar os poderes é
a causa de desmerecimento, e enlameamento dos membros do Poder
Judiciário.
Um grupo de juizes, conduzidos pelo Dr.
Michel Pinheiro, tentam implantar uma visão democrática
e transparente no Poder Judiciário cearense. Este juiz
tem sofrido enorme desgaste, por querer um poder digno, participativo,
transparente. Deseja apenas que seus pares andem com altivez,
sem os sussurros das esquinas a lhes questionar sua moralidade.
Não deveria este ser levado nos braços pelos
que fazem o Poder Judiciário local, que se dizem indignados
com as afirmações de corrupção?
Espero vê-lo, num futuro breve, conduzido com esses
ideais, pelo voto direto de todos à presidência
do TJ -CE.
Quanto ao presidente do STF, homem honesto
e corajoso, espero que nos conduza a essa operação
mãos limpas que a sociedade exige. Mas não como
as mãos lavadas e limpas de Pilatos. Quanto a Lula
tenho esperança de que seu discurso não se intimide
e que não seja para barganhar as reformas da previdência. |