Pai

Que dor é essa que tritura o espírito

Que mói a alma

Que despedaça o coração

Que nos torna sem luz nos olhos

Que nos tira a alegria da vida

Que destrói famílias

Que nos ajuda em remédios, em bebidas

Que faz correr pela face lágrimas de sangue

Que aperta o peito a nos sufocar

Que nos poe sem juízo a gritar

Que traz desejo de vingar, mas também de perdoar

Que nos ajuda na rede

Que nos faz faltar ao trabalho, ao colégio, aos amigos, ao que sobrou da família.

Pai

Que cálice é esse que só transborda

Que por mais que eu beba nunca seca

Que calvário é este que me fincam pregos e me crucificam pelo coração

Pai
continuei vivo

Na mesma cruz em que Tu te sentistes abandonado, igual a Ti desci da cruz

Mas somente quando descobri que essa dor, esse cálice, essa cruz só passariam
Se a minha vida fosse entregue por amor à alguém, para que pessoa alguma não precisasse vivenciar a via crucis
dos que são vítimas
da violência, da injustiça e do ódio

Pai
não pude escolher

Mas hoje Te agradeço por ser deste lado, do lado dos últimos.

Tenho saudades
Ainda choro
Desespero-me

Mas não trago na alma a dor e a decepção de ter alguém que amo
destruído a vida de muitos pais, filhos, amigos, famílias

Autor: Hermann Schimmelphfneg Landim

Coordenador de Formação da Apavv ( maio/2003)

 
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