Desabafo de uma mãe

Hoje, 15 de janeiro de 2003, completam-se 30 dias que perdi meu filho. AH! Dor que parte e invade a minha alma. Não sei o que é viver, morri também, na madrugada do dia 15/12/2002.
Levaram de mim a esperança, o meu amanhecer. Que cruel escuridão, não consigo viver,aceitar? Jamais! Sorrir? Eu jamais saberei. Porque nunca se pode sorrir quando nada tenha e nada posso, pois o meu sorriso e minha Fortaleza retiraram cruelmente, brutalmente...meu filho...jovem e cidadão, jamais eu poderei vê-lo, abraça-lo, beija-lo, só lembranças e saudades. Não vejo sentido em viver assim. Cada minuto que passa é um dor e um rasgão que sinto na alma e fere meu coração. Mundo dos imundos, onde justos não podem viver. Leve-me oh! Deus Querido, pois tiraram de mim o direito de SER. A razão da minha vida. Que tristeza na vida é receber seu filho fuzilado. Que dor terremota, soltando um vulcão de ardor.

Que dor alvoroçada sinto no peito e na alma desde que perdi meu filho amado.
Fátima Maria Pinto Lima

 
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