PROTEGENDO VÍTIMAS
E TESTEMUNHAS*
“Qualquer política de defesa
dos direitos humanos implica a existência de mecanismos
eficazes de punição dos seus violadores –
resolver, portanto, a questão da impunidade é
essencial para ultrapassar o plano dos direitos formais
e alcançar o das garantias reais(...) O problema
da impunidade ainda é um dos nossos grandes desafios.
Por isso, os programas de proteção a vítimas
e testemunhas de violência ganham a importância
excepcional: eles preservam provas, sem as quais não
se pode combater a impunidade.” (Suely Souza de Almeida
e José Paulo Neto, UFRJ)
No momento em que a sociedade civil exige a implementação
de políticas eficazes de segurança pública,
a fim de combater a violência, a criminalidade e a
impunidade no Brasil, vislumbramos dias melhores com a implantação
do Programa de Proteção a Vítimas e
Testemunhas Ameaçadas no Ceará (PROVITA-CE),
através da Lei Estadual nº 13.193, de 13.01.2002,
e do Convênio entre o Governo estadual e a Associação
de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência
- APAVV.
No Brasil, a experiência inicial deu-se em Pernambuco
(1996), com o Gabinete de Assessoria Jurídica a Organizações
Populares (Gajop), organização não
governamental de direitos humanos, que teve a coragem e
a ousadia de criar uma rede de proteção, com
apoio da sociedade civil, para evitar o assassinato de vítimas
e testemunhas e a impunidade de criminosos. Esse modelo
eficaz levou o Governo Federal a adotá-lo em 1999,
criando o PROVITA-Brasil, com a Lei Federal nº 9.807,
de 13.07.1999.
No Ceará, datam de 1995 as primeiras iniciativas
para a implantação do PROVITA, tendo à
frente o ex-deputado estadual Mário Mamede (PT) e
o Fórum Cearense de Direitos Humanos.
Sabemos que inúmeros crimes ficam sem solução
por não haver pessoas dispostas testemunhar e apontar
os autores dos delitos. Temem que sejam as próximas
vítimas. As diversas medidas previstas pelo programa
- desde a segurança na residência até
a transferência para outro Estado, com preservação
da identidade, imagem e dados pessoais - certamente contribuirão
para diminuir o medo de denunciar os criminosos e a cultura
de impunidade que domina o cotidiano.
Para a APAVV, diminuir a violência e a criminalidade
depende da redução das desigualdades socioeconômicas
e da universalização dos direitos humanos
sociais, econômicos e culturais, mas considera o PROVITA-CE
um passo importante, pois ao mesmo tempo em que protege
as vítimas e testemunhas da violência, demonstra
que a redução que a redução
da impunidade passa pela defesa e pela promoção
dos direitos humanos e responsabilização de
seus violadores.
ANDRÉ LUIZ DE SOUZA COSTA, é
Coordenador Geral da APAVV e Vice-Presidente do Conselho
Deliberativo do PROVITA-CE.
(*) publicado no jornal
O POVO, edição de 30.03.2002