SEGURANÇA PÚBLICA E ELEIÇÕES*

“Não, não tenho caminho novo”.
O que tenho de novo é o jeito de caminhar.
Aprendi (o caminho me ensinou) a caminhar cantando
como convém a mim e aos que vão comigo.
Pois já não vou mais sozinho.” (Thiago de Mello)

Reinstalar o Conselho Estadual de Segurança Pública (Lei Estadual 12.120, de 24.06.1993). Implantar Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (art. 185, da Constituição Estadual) e Delegacias de Polícias nos municípios que ainda não as possuem. Tornar o Instituto Médico Legal autônomo e regionalizá-lo. Criar o Serviço de Verificação de Óbitos. Aumentar o efetivo, reaparelhar, modernizar e aprofundar a integração das polícias civil e militar. Melhorar as condições de trabalho e a remuneração dos policiais e dos agentes penitenciários. Fortalecer a Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública. Reformar o Estatuto da Polícia Militar. Instalar Defensorias Públicas em todos os municípios do Estado. Desprivatizar as penitenciárias.

Essas, são algumas das propostas defendidas, há anos, pelas entidades que constituem o FCDH-Fórum Cearense de Direitos Humanos. Se forem assumidas pelo atual ou próximo governo, certamente contribuirão para diminuir a criminalidade e a violência no Ceará.
Além daquelas medidas, a Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência-APAVV defende também a criação da Secretaria Estadual de Direitos Humanos (com função de fiscalizar, articular e elaborar, conjuntamente com as outras Secretarias de Estado específicas, as políticas públicas de alimentação, educação, saúde, terra, moradia, lazer, acesso à justiça, segurança e penitenciária); a implantação do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (art. 181, da Constituição Estadual) e dos Centros de Atendimento a Vítimas de Crimes (espaços públicos não-estatais onde vítimas de crime receberiam atendimento jurídico, social e psicológico); a destinação de verbas suficientes ao Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas; a reforma da Ouvidoria Geral do Estado (com autonomia e independência através da prerrogativa de mandato do Ouvidor-Geral); e a nomeação de novos Promotores de Justiça e de Juízes de Direito.
Os setores conservadores acusam os movimentos em prol dos direitos humanos de “defenderem bandidos” e de não terem idéias específicas e concretas para solucionar os problemas da segurança pública. Têm e são viáveis. O que falta é vontade política dos governantes para dialogar com as ONG´s, pois as propostas colocadas são radicalmente ligadas a princípios inegociáveis e inseparáveis que têm como meio e fim a efetivação dos direitos humanos e a defesa das vítimas de violência de qualquer espécie, inclusive a estatal.
A violência e a criminalidade não serão diminuídas por decreto ou num passe de mágica. Mas isso não é motivo para tratarmos a situação de modo sensacionalista, irracional ou autoritário. O momento é muito oportuno para que os candidatos cearenses, em especial aos cargos majoritários, demonstrem à sociedade como pretendem minimizar a cultura da violência, eliminar a impunidade e a corrupção, e estabelecer políticas capazes de reverter “o sentimento generalizado de insegurança”.

Ouvir suas idéias sobre segurança pública, política penitenciária, assistência judiciária e direitos humanos é o que pretendem a APAVV e o FCDH através da realização de um debate com os candidatos ao Governo do Ceará, afinal o jeito novo de caminhar começa pelo diálogo e com compromissos públicos.

ANDRÉ LUIZ DE SOUZA COSTA, 31 anos, é Coordenador Geral da APAVV e Vice-Presidente do Conselho Deliberativo do PROVITA-CE.

(*) publicado no jornal O POVO, edição de 04.10.2002

 
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