“Eu acredito,
tenho fé que não passarei pela vergonha de
me acomodar”
Construir
um Estado Democrático de Direito é tarefa
para muitas gerações. Em nossa país,
na data histórica de 27 de outubro de 2002, a democracia
finalmente triunfou porque o povo venceu o medo de romper
com o modelo elitista de governo que permeou toda a história
da nossa república e elegeu um presidente com a sua
cara, um ex-metalúrgico, ex-sindicalista, nordestino
e de origem humilde.
Essa vitória, naturalmente, trouxe reflexos importante
nas demais esferas do poder. O congresso nacional renovou-se
com a eleição expressiva de parlamentares
da base popular de esquerda e o Judiciário, historicamente
conservadorista, na esteira do novo governo, já manifesta
no âmbito federal, uma sintonia cada vez maior com
o verdadeiro espírito do Estado Democrático
de Direito, calcado sob o império dessa mudança
é o caso do processo contra a diretoria do BNB, cujos
bens foram indisponibilizados por decisão do Juiz
Federal da 12ª Vara Criminal e, em grau de recurso
a decisão foi mantida pelo Tribunal. Decisão
inédita, pois, afinal, a diretoria do BNB, em 08
anos, jamais perdeu um recurso no TRF.
No Ceará, infelizmente o modelo anacrônico
de governo, que já perdura há 16 anos, de
feições claramente neo-liberais, dilapidador
do patrimônio público e que elegeu como inimigo
número um, o servidor público, conseguiu permanecer
no poder por mais quatro anos, numa vitória bastante
apertada e duvidosa, ressalte-se bem.
E o nosso Judiciário, o que fez? Descumpriu por duas
vezes vergonhosamente, o que manda a lei 13.221/02, que
eleva a categoria de nível médio para superior,
mais compatível com a complexidade e importância
que o cargo exige. Com esta atitude vislumbra-se claramente
a subserviência do Tribunal de Justiça ao Governo
do Estado. Esta perversa política tem gerado muito
sofrimento aos Oficiais de Justiça que, sem perspectiva
alguma de trabalhar com condições dignas,
não suportam mais tal situação. Por
fim o Presidente do Tribunal de Justiça comete mais
uma ilegalidade ao nomear 47 Oficiais de Justiça
do último concurso em conformidade com uma lei já
revogada, que já não exerce eficácia
alguma. O que dizer de tamanhas arbitrariedades de tanta
arrogância? É que no Ceará, a sociedade
não pode se sentir segura quanto a Justiça
local, pois, internamente, esta viola direito justo e legítimo
de seus próprios servidores!
Mas, apesar das ameaças, apesar do descaso, a categoria
se mantém unida, mobilizada e lutará até
obter a vitória. Não se conformará
em por-se de joelhos, mendigando o que é seu por
direito e denunciará à sociedade o fosso existente
entre a categoria de magistrados e os demais servidores
deste poder, principalmente os Oficiais de Justiça,
a quem compete prestar um servidor Jurisdicional de elevada
importância para a concretização do
direito de todos os cidadãos.
Digamos
não à discriminação, à
opressão e a injustiça!
SINDICATO
DOS OFICAIS DE JUSTIÇA AVALIADORES DO ESTADO DO CEARÁ