OAB e a ÈTICA
A notoriedade adquirida pela OAB junto à Sociedade
Civil brasileira, em decorrência de seu empenho na
defesa dos valores democráticos e da cidadania –
especialmente no período autoritário, quando
as liberdades individuais e coletivas encontravam-se suspensas
– configura-se como um patrimônio inestimável
não somente dos advogados, mas de todos os brasileiros.
Dedicação à causa democrática
que requer da OAB, na presente conjuntura nacional, credibilidade
e transparência em seus atos e posições.
Em que, por conseguinte impõem determinadas exigências
indeclináveis aos seus dirigentes maiores, entre
os quais se salienta a abnegação, o espírito
público e obstinação na defesa das
bandeiras na defesa das bandeiras da ética e da justiça
no âmbito do Estado brasileiro. Daí o espanto
e a indignação com que a sociedade civil cearense
assiste à desenvoltura com que o presidente da OAB-CE,
Sr. Paulo Quezado, funciona como advogado de criminosos
contumazes, que perpetram a pistolagem e o homicídio
no Ceará. Atentando, assim, contra a dignidade e
os direitos fundamentais do homem, como se pode observar
em sua recente defesa do advogado Victor Quinderé,
em um gesto corporativo, politicamente inadequado e que
agride a tradição e a história da entidade.
Óbvio que um Estado de Direito, o respeito à
legalidade pressupõe o acatamento dos princípios
do contraditório e da ampla defesa para todos os
cidadãos, indistintamente – e para isso se
cumpra – faz-se necessário o asseguramento
do exercício pleno das prerrogativas do advogado.
No entanto, há uma diferença significativa
entre o reconhecimento da importante função
cumprindo pelo advogado como instrumentos de efetivação
de justiça e o papel que se espera, pelo simbolismo
de que o seu cargo se reveste, de um presidente de uma entidade
tão importante para a sociedade brasileira como a
AOB.
Regino Pinho, Coordenador da
APAVV e Presidente da Comissão de Direitos Humanos
do Sindicato dos Bancários do Ceará.